summaryrefslogtreecommitdiff
path: root/content/escritos/o-erro-enaltece-a-verdade.md
blob: 48b0871b94905f810ab7d80e2995ce61dfd6e92e (plain)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
---
title: "O erro enaltece a verdade"
date: 2026-04-26
draft: false
excerpt: "A verdade é mais evidente quando há mentira."
---

Da mesma forma que para combater o erro basta apontar a verdade, a mentira serve para evidenciar a verdade. Paulo nos ensina isso em 1 Coríntios 11:19, que diz: *"Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio"*. João corrobora isso em 1 João 2:19: *"Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós"*.

Nota-se que, ao existir a mentira, separamos o joio do trigo (Mt 13:24-30). Na igreja em Corinto havia muitas divisões, tanto que foi a igreja que mais recebeu cartas da parte do apóstolo (duas das quais perdemos). Ele inicia não os louvando por isso (1 Coríntios 11:17), mas reconhece, no entanto, que apesar da divisão, é com ela que podemos reconhecer a verdade. É através desse contraste que reconhecemos aqueles que são fiéis e piedosos, distinguindo-os dos impiedosos e dos falsos mestres — que vieram para roubar, matar e destruir (Jo 10:10) — e identificando, por fim, os verdadeiros mestres.

Porque *"todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta"* (Efésios 5:13). No tempo paulino, e hoje, é necessário e relevante que haja a mentira. Ora, se somos sal da terra, purificamo-na; se somos luz no mundo, o iluminamos. Mas o escuro (a mentira) é tão evidente quanto a luz se as comparamos. Sendo a luz evidente, é também o escuro evidente.

Isso quer dizer que o nosso Senhor se utiliza até do mal e do engano para apontar a verdade. As Escrituras são a forma que, em Sua providência, nos deu para, tal como os bereianos, confirmar o que é verdadeiro; da mesma forma que os frutos testificam a árvore de onde vêm. Conclui-se, portanto, que a mentira não possui poder para ocultar o real, mas acaba, ironicamente, servindo de palco para que a verdade brilhe com maior nitidez e os aprovados sejam finalmente manifestos.

Conclui-se, portanto, que a existência da mentira e das divisões não deve nos desanimar, mas nos alertar para o exercício do discernimento. Se o Senhor se utiliza até do engano para evidenciar os Seus, nossa aplicação deve ser a de buscar as Escrituras com o rigor dos bereianos, permitindo que a luz que emana de nós purifique a terra onde pisamos. No contraste entre o escuro e o claro, que saibamos identificar os falsos mestres por seus frutos de destruição, enquanto nós, como o trigo e a boa árvore, frutificamos na verdade para que, em meio aos partidos e controvérsias, sejamos encontrados por Deus como os aprovados de nosso tempo.